Foto: Stephan Eilert/Ceará SC

Certas histórias parecem existir antes mesmo das primeiras linhas serem escritas. Chame de destino, amor à primeira vista, encontro de almas, como quiser, mas certos encontros parecem ter sido determinados antes de que qualquer causalidade o tornasse possível. 

Assim é a união entre Saulo Mineiro e Ceará Sporting Club. 

Tudo começou (pelo menos oficialmente) em setembro de 2020. Chegava ao Ceará, como uma aposta,  um garoto de 23 anos carregando consigo a marca de artilheiro da Série C daquele ano e outras invisíveis do que a vida havia feito em sua trajetória fora dos campos. 

Os problemas no coração, até então, cicatrizes, tentaram participar do momento e ao ter vida e carreira postas à prova, foi no novo clube que Saulo encontrou socorro, refúgio e entendeu que a relação recém-iniciada iria bem além das quatro linhas de um campo de futebol. 

Depois disso, uma ascensão meteórica, quase tão rápida quanto Saulo em campo. Título brasileiro de aspirantes, ganho de espaço no profissional, gols na equipe principal, carinho da torcida, pratinho, venda para o Japão. Era hora da primeira pausa e justamente quando tudo parecia caminhar para um melhor momento, pouco menos de um ano depois de sua chegada.

Foram dois anos no país asiático. Saulo cresceu como atleta, evoluiu como pessoa, aumentou a família, mas sentiu que era hora de voltar. Em julho de 2023, retornou ao Ceará para sua segunda passagem, essa que teria como objetivo claro o de recolocar o clube na elite do futebol nacional. 

Em 23, a meta não foi alcançada e o 2024 era de incertezas para o Ceará e para Saulo Mineiro. Todas elas atropeladas pelo camisa 73. 

No Campeonato Cearense, título depois de cinco anos. Saulo foi de possível vilão, ao perder uma chance na partida de ida da final, a autor do gol do título com um petardo que encontrou as redes rivais no segundo jogo. 

No Campeonato Brasileiro, em uma campanha de oscilações e em que precisou da união de todos que fazem o Ceará, a reta final da temporada teve em Saulo uma figura de decisão como poucas vezes se viu. 

 

Nos últimos quatro jogos que disputou em 2024, Saulo teve impressionantes sete participações em gols, a última delas no jogo que marcou o recorde de público histórico da Arena Castelão. 

Coube ao atacante fazer todos os 63.908 presentes viverem o êxtase do gol que, dias depois, se tornaria o do acesso. 

Mais uma vez, a intensidade de Saulo em campo deu vez à da vida. Hat-trick, gol do acesso, lesão antes do último jogo, comemoração nos braços da torcida em carreata, nova despedida. 

De novo, quando parecia que era hora do ápice, a vida trazia à relação uma pausa. 

Depois de mais um ano e meio longe, desta vez na China, Saulo retorna para um novo encontro, este imaginado por muitos e desejado por tantos outros. 

É hora de viver aquilo tudo de novo. Saulo está entre nós.